LGPD: Privacidade e Proteção de Dados para Fintechs

Entenda como fintechs podem estruturar programas de LGPD, privacidade, IA e cybersegurança alinhados ao BACEN, CMN e DORA para crescer no mercado B2B e internacional.

O mercado de fintechs brasileiro amadureceu rapidamente nos últimos anos. O Brasil já representa cerca de 59% das fintechs da América Latina e concentra aproximadamente 60% dos investimentos da região no setor. O crescimento acelerado trouxe inovação, inclusão financeira e novos modelos digitais de negócio. Ao mesmo tempo, aumentou significativamente a superfície de ataque das organizações financeiras e elevou a exposição de dados pessoais, dados financeiros e informações transacionais altamente sensíveis.

Hoje, founders, CTOs e líderes de produto precisam compreender que privacidade, proteção de dados e cybersegurança deixaram de ser apenas temas jurídicos. Essas disciplinas passaram a impactar diretamente continuidade operacional, confiança do cliente, valuation, internacionalização e capacidade de fechar contratos corporativos.

O setor financeiro é um dos ambientes mais pressionados por ameaças digitais. O crescimento do Open Finance, do Pix, da hiperconectividade via APIs e da inteligência artificial generativa criou um cenário extremamente eficiente para inovação, mas também extremamente atrativo para ataques cibernéticos, vazamentos e fraudes digitais. Em dezembro de 2025, o Pix registrou quase 8 bilhões de transações em apenas um mês, envolvendo 172 milhões de pessoas. Quanto maior a escala operacional, maior também a responsabilidade sobre proteção de dados e resiliência digital.

Segundo análises derivadas do relatório da IBM Security focadas no setor financeiro em 2025, o custo médio de um vazamento no mercado financeiro chegou a US$ 5,56 milhões por incidente, cerca de 25% acima da média global e aproximadamente 1 em cada 6 incidentes já envolve ataques assistidos por IA. Outro dado muito relevante para o contexto de privacidade e proteção de dados vem da ENISA: O relatório “Finance Threat Landscape” mostrou que APIs financeiras passaram a representar vetores críticos na exploração e uso indevido de dados. Neste último ponto, já haviamos, inclusive, apontado dos riscos de terceiros, via consumo/disponibilização de dados em APIs. 

A expansão das fintechs aumentou os riscos digitais

Grande parte das fintechs nasce com uma mentalidade fortemente orientada a crescimento e velocidade. Isso é natural em startups. O problema é que muitos ambientes crescem sem uma governança proporcional sobre segurança da informação, arquitetura segura, privacidade e gestão de terceiros.

O uso massivo de APIs, microsserviços, integrações financeiras e plataformas SaaS cria dependências complexas. Em muitos casos, times de produto e engenharia aceleram entregas sem uma estrutura madura de DevSecOps, gestão de vulnerabilidades ou governança de dados.

Esse cenário fica ainda mais delicado com a adoção acelerada de inteligência artificial.

Segundo a Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2025, 72% dos bancos já utilizam IA em atendimento ao cliente, 67% aplicam IA em desenvolvimento de sistemas e operações, e os investimentos em IA continuam crescendo rapidamente. O Distrito Fintech Report 2025 também aponta que 74% das fintechs reportaram aumento de lucratividade com IA e 75% registraram redução de custos. E muitos destes serviços são oferecidos por fintechs ou soluções de empresas de tecnologia via modelos SaaS. 

O ganho operacional é real. Porém, a maturidade de governança ainda não acompanha a velocidade de adoção.

Muitas fintechs implementam IA generativa em produtos financeiros, onboarding, KYC, antifraude, análise de crédito e atendimento sem possuir mecanismos sólidos de governança, classificação de dados, segregação de ambientes ou revisão de riscos regulatórios. Isso expõe clientes e empresas a vazamentos de informações sensíveis, extrafiltração de dados, compartilhamentos internacionais não mapeados e respostas alucinatórias produzidas por modelos de IA.

O próprio debate regulatório no setor financeiro brasileiro já demonstra preocupação crescente com explicabilidade, governança e riscos de “caixa-preta” associados à IA.

O desafio não é apenas tecnológico. É estrutural.

LGPD para fintechs vai muito além do jurídico

Muitas organizações ainda tratam adequação à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) como um exercício documental. Na prática, isso é insuficiente para o mercado financeiro moderno.

Fintechs processam grandes volumes de dados pessoais e financeiros. Em diversos casos, lidam com biometria, documentos de identidade, geolocalização, histórico transacional, perfil financeiro, dados comportamentais e informações utilizadas em decisões automatizadas (perfilamento).

A LGPD exige que esse tratamento seja realizado com transparência, segurança, finalidade legítima e proporcionalidade. Porém, no setor financeiro, isso precisa coexistir com requisitos rigorosos de disponibilidade, antifraude, rastreabilidade e continuidade operacional.

Na prática, adequação real exige a combinação entre:

Sem a integração entre tecnologia, jurídico e negócio, programas de privacidade dificilmente conseguem acompanhar o ritmo operacional de fintechs.

BACEN, CMN e o avanço das exigências regulatórias

O Banco Central e o Conselho Monetário Nacional vêm ampliando continuamente as exigências relacionadas à governança tecnológica e cybersegurança. As regulamentações do BACEN e do CMN reforçam a necessidade de estruturas robustas de gestão de riscos cibernéticos, continuidade de negócios, monitoramento de incidentes e controles sobre terceiros.

Na prática, isso aproxima o mercado financeiro brasileiro de padrões globais de resiliência operacional.

O avanço do Open Finance e do Banking as a Service também elevou as exigências sobre governança dos dados, proteção de APIs e disponibilidade/acurácia das informações.

Para líderes de engenharia, isso significa que segurança não pode mais ser tratada como uma camada isolada adicionada ao final do desenvolvimento. Ela precisa estar incorporada ao ciclo de vida do produto. Práticas como Secure SDLC, Security by Design, Privacy by Design e Zero Trust deixam de ser diferenciais e passam a ser expectativas mínimas de mercado.

Além disso, o crescimento da automação e da IA exige que organizações consigam explicar como decisões automatizadas são tomadas, quais dados alimentam os modelos e quais controles mitigam vieses e alucinações.

DORA e a internacionalização das fintechs brasileiras

Para fintechs brasileiras que desejam expandir operações internacionais ou atuar no mercado corporativo europeu, o tema DORA tornou-se estratégico.

O Digital Operational Resilience Act (DORA) estabelece regras rigorosas de resiliência operacional digital para o setor financeiro europeu. O framework exige controles robustos sobre cibersegurança e continuidade operacional, onde, na prática, empresas que desejam vender para instituições financeiras europeias precisarão demonstrar maturidade operacional e capacidade de proteger ambientes críticos.

Isso impacta diretamente fintechs B2B, empresas de Banking as a Service, plataformas de pagamento, soluções antifraude, Open Finance, embedded finance e organizações que oferecem componentes tecnológicos ao ecossistema financeiro europeu.

O DORA não é apenas uma exigência regulatória europeia. Ele está se tornando um critério comercial.

Empresas que não conseguem demonstrar governança, rastreabilidade e maturidade em cibersegurança e privacidade podem enfrentar dificuldades em processos de due diligences, auditorias de fornecedores e processos de contratação corporativa.

O papel do DPO na evolução das fintechs

Muitas fintechs enxergam o DPO apenas como um requisito legal. Na prática, organizações maduras utilizam o DPO como um agente estratégico de governança e redução de risco.

Um DPO multidisciplinar consegue conectar privacidade, tecnologia, produto e negócio.

Isso significa apoiar iniciativas como:

  • revisão de fluxos de dados
  • avaliação de riscos em IA
  • revisão de integrações com terceiros
  • apoio a times de produto na definição de features
  • gestão de incidentes
  • apoio em contratos corporativos
  • preparação para auditorias
  • apoio em due diligence de investidores e clientes

Para fintechs em crescimento acelerado, o modelo de DPO-as-a-Service costuma ser especialmente eficiente.

Ao invés de depender de um único profissional interno, a organização passa a contar com um time multidisciplinar envolvendo privacidade, cibersegurança, projetos, governança, tecnologia e compliance.

Isso acelera a maturidade da empresa e melhora significativamente a percepção de mercado perante clientes corporativos, investidores e parceiros internacionais.

Em muitos casos, uma fintech tecnicamente madura consegue acelerar vendas B2B justamente por demonstrar capacidade de proteger dados e operar dentro de padrões regulatórios mais robustos.

Empresas internacionais precisam olhar para a LGPD

Empresas internacionais operando no Brasil ou processando dados de brasileiros precisam observar os requisitos da LGPD.

Em muitos cenários, organizações que já operam sob o GDPR conseguem acelerar significativamente a adequação brasileira através de um processo de bridging regulatório.

Isso ocorre porque diversos princípios fundamentais já possuem forte convergência entre GDPR e LGPD, incluindo:

  • transparência
  • finalidade
  • segurança
  • direitos dos titulares
  • governança
  • accountability

Ainda assim, existem particularidades brasileiras importantes relacionadas à atuação da ANPD, requisitos locais, contratos, idioma, processos de atendimento ao titular e interpretação regulatória que justificam os investimentos locais.

Para fintechs globais, estruturar esse bridging corretamente reduz custos operacionais e acelera a entrada no mercado brasileiro.

A própria Macher Tecnologia possui experiência em iniciativas de bridging entre LGPD, GDPR e outras regulamentações internacionais de privacidade e proteção de dados.

Como a Macher Tecnologia pode apoiar fintechs

A Macher Tecnologia atua apoiando fintechs, startups e empresas do mercado financeiro em iniciativas de LGPD, privacidade e proteção de dados.

A abordagem da empresa combina tecnologia, privacidade e negócio de forma integrada. Isso permite apoiar organizações desde fases iniciais de discovery até operações contínuas de DPO-as-a-Service.

Os projetos normalmente envolvem:

  • mapeamento de dados e riscos
  • ROPA e RIPD
  • revisão de arquitetura e fluxos
  • apoio a squads de produto e engenharia
  • governança de IA
  • políticas e processos
  • apoio em contratos e due diligence
  • revisão de medidas técnicas e organizacionais
  • treinamento de equipes
  • preparação para clientes corporativos e auditorias

A Macher Tecnologia também apoia empresas internacionais em processos de bridging entre GDPR e LGPD, facilitando operações no Brasil e reduzindo fricções regulatórias.

Para fintechs que desejam crescer de forma sustentável, privacidade e proteção de dados não devem ser vistas apenas como obrigação regulatória. Elas representam um diferencial competitivo importante para escalabilidade, internacionalização e confiança do mercado.

Se você busca soluções completas para privacidade, proteção de dados e cybersecurity, entre em contato conosco. Nossa equipe está pronta para ajudar sua empresa a navegar pelos requerimentos e oportunidades da LGPD e implementar práticas eficazes de segurança e conformidade.

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