Dados inferidos por IA também estão protegidos pela LGPD?
IA pode inferir perfil, renda, interesses, saúde ou comportamento. Entenda quando dados inferidos por Inteligência Artificial passam a ser considerados como dados pessoais sob a LGPD.
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Uma empresa pode nunca ter perguntado diretamente a renda, os interesses ou o perfil de risco de uma pessoa e, ainda assim, utilizar Inteligência Artificial para estimar essas características.
Surge então uma questão importante: se a informação foi criada ou inferida por um algoritmo, ela continua podendo ser considerada um dado pessoal coberto pela LGPD?
Em muitos casos, sim.
O que importa não é apenas de onde o dado veio
A LGPD define dado pessoal como informação relacionada a pessoa natural identificada ou identificável (que possa ser identificada, dentro do escopo de dados da organização como um todo).
Portanto, a análise não deve se limitar a perguntar se determinada informação foi fornecida diretamente pelo titular. É necessário avaliar se ela está relacionada a uma pessoa identificada ou identificável.
Esse ponto complementa a discussão apresentada pela Macher Tecnologia sobre a diferença entre dado pessoal e dado pessoal sensível.
O que são dados inferidos por Inteligência Artificial?
Dados inferidos são informações produzidas a partir da análise de outros dados. Sistemas de IA e machine learning conseguem identificar correlações e estimar características que nunca foram explicitamente informadas pelo indivíduo.
Uma plataforma pode, por exemplo, inferir propensão de compra, risco de inadimplência, perfil profissional, probabilidade de abandono de um serviço ou determinados interesses a partir do comportamento do usuário.
Você pode ainda imaginar, por exemplo, que dados de compra em uma farmácia podem levar um algoritimo a identificar que uma determinada pessoa tem uma determinada doença. Esta inferência gera inclusive um dado pessoal sensível quando atribuída a um indivíduo único.
Assim, dependendo das informações utilizadas e da finalidade do tratamento, inferências também podem envolver temas muito mais delicados. A organização precisa avaliar a natureza da inferência, sua finalidade e as consequências de sua utilização.
IA amplia a necessidade de governança de dados
O desafio está crescendo rapidamente. O Cisco 2026 Data and Privacy Benchmark Study identificou que 90% das organizações pesquisadas haviam ampliado seus programas de privacidade em resposta à transformação causada pela IA, enquanto 65% relataram dificuldades para acessar dados de qualidade de maneira eficiente.
Já o AI Governance Profession Report 2025 da IAPP e Credo AI mostrou que 77% das organizações pesquisadas estavam trabalhando em Governança de IA, percentual próximo de 90% entre aquelas que já utilizavam Inteligência Artificial.
Esses números reforçam uma mudança importante: governar IA significa também governar dados de entrada, resultados, inferências e decisões produzidas a partir deles.
Inferência, perfilamento e decisões automatizadas
O risco aumenta quando inferências deixam de ser simples informações analíticas e passam a orientar decisões sobre pessoas.
Modelos podem priorizar candidatos à posições de trabalho, detectar fraudes, atribuir scores, recomendar preços, segmentar clientes ou determinar quais usuários receberão determinadas ofertas.
Nesse cenário, não basta saber qual modelo está sendo utilizado. A organização precisa compreender os dados utilizados, como os modelos de IA geram suas decisões ou recomendações, os riscos de discriminação ou erro, as formas e critérios de supervisão humana e os impactos sobre os titulares.
O papel do DPO na Governança de IA
Privacidade e Governança de IA estão cada vez mais conectadas. O DPO deve participar da avaliação de novos casos de uso, mapear tratamentos de dados, questionar finalidades e bases legais e recomendar avaliações de impacto quando houver riscos relevantes.
Essa integração é uma das razões pelas quais um modelo multidisciplinar de DPO-as-a-Service pode agregar valor a organizações que estão aumentando o uso de Inteligência Artificial.
A necessidade é reforçada pelo cenário de risco: o Cost of a Data Breach Report 2026 da IBM identificou que mais de 20% das organizações pesquisadas relataram incidentes direcionados a modelos ou aplicações de IA.
Como a Macher Tecnologia pode ajudar sua empresa
A Macher Tecnologia ajuda organizações a conectar privacidade, tecnologia, segurança e Inteligência Artificial por meio de projetos de adequação à LGPD, assessments, mapeamento de dados e processos e avaliações de risco.
Nosso DPO-as-a-Service pode apoiar a análise contínua de novos tratamentos e casos de uso envolvendo IA.
Além disso, a Macher Tecnologia desenvolve estratégias de Governança de IA e preparação para a ISO/IEC 42001, incluindo inventário de aplicações, políticas de uso, classificação de riscos, responsabilidades, supervisão humana e integração entre Governança de IA e o programa de privacidade da organização.
Se sua organização precisa de apoio com a LGPD, IA ou cibersegurança, entre em contato com nosso time de consultores!
Sobre a Macher Tecnologia
A Macher Tecnologia é uma empresa especializada em soluções Digital, focada em privacidade e proteção de dados. No mercado desde 2018, suporta clientes de diferentes indústrias em suas jornadas de conformidade, de forma multidisciplinar e hands-on.
Com uma abordagem inovadora, a Macher Tecnologia auxilia empresas na implementação de estratégias eficazes de conformidade com LGPD e GDPR, fornecendo consultoria, treinamento e ferramentas tecnológicas para gestão de riscos e proteção de dados corporativos.
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