O que é Zero Trust e por que ele é essencial para a privacidade e proteção de dados
Entenda o conceito de Zero Trust, sua relação com a LGPD e como empresas podem reduzir riscos de vazamentos com controles baseados em ISO e boas práticas de segurança.
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Você sabia?
Estudos do ecossistema israelense de cibersegurança mostram que Zero Trust já deixou de ser uma tendência para se tornar padrão.
Com mais de 450 empresas no setor e mais de 40% dos investimentos globais concentrados nesse mercado, Israel lidera a transformação da segurança baseada em perímetro para modelos centrados em identidade.
Relatórios de empresas como Check Point, Perimeter 81 e CyberArk indicam que mais de 80% dos ataques envolvem credenciais comprometidas, reforçando a necessidade de validação contínua de acesso — princípio central do Zero Trust.
Nos últimos anos, a superfície de ataque das organizações cresceu de forma exponencial. Ambientes híbridos, trabalho remoto, IAs, aplicações e infraestruturas em nuvem e cadeias de fornecedores cada vez mais complexas criaram um cenário onde confiar implicitamente em usuários e sistemas deixou de ser viável. É nesse contexto que surge o conceito de Zero Trust — um modelo de segurança que parte do princípio de que nenhuma entidade deve ser confiada automaticamente, independentemente de estar dentro ou fora da rede corporativa.
Ao contrário dos modelos tradicionais, que operam com base em perímetros de segurança, o Zero Trust assume que a violação é sempre possível. Portanto, cada acesso deve ser continuamente verificado, autenticado e autorizado com base em múltiplos fatores, contexto e risco.
Esse modelo tem se mostrado não apenas uma evolução tecnológica, mas uma necessidade estratégica para empresas que buscam proteger dados pessoais, ativos críticos e manter conformidade com legislações como a LGPD.
Zero Trust na prática: mais do que tecnologia, uma mudança de mentalidade
Zero Trust não é um produto, mas um conjunto de princípios. Entre os mais relevantes estão a verificação contínua de identidade, o acesso mínimo necessário (least privilege), a segmentação de rede e o monitoramento constante de atividades.
Segundo estudo da IBM Security, o relatório Cost of a Data Breach 2023 aponta que organizações que adotaram estratégias maduras de Zero Trust reduziram o custo médio de incidentes em cerca de US$ 1,76 milhão em comparação com aquelas que não adotaram o modelo.
Além disso, a Microsoft indica que a implementação de autenticação multifator (MFA), um dos pilares do Zero Trust, pode bloquear mais de 99,2% das tentativas automatizadas de comprometimento de contas.
Esses números mostram que o Zero Trust não é apenas um conceito teórico, mas uma estratégia comprovada de redução de risco.
A relação entre Zero Trust e a LGPD
A Lei Geral de Proteção de Dados estabelece que organizações devem adotar medidas técnicas e administrativas aptas a proteger dados pessoais contra acessos não autorizados, vazamentos e incidentes de segurança.
Nesse sentido, o Zero Trust se conecta diretamente com princípios da LGPD, como:
Segurança e prevenção
O modelo elimina a confiança implícita e exige validação contínua, reduzindo drasticamente a probabilidade de acessos indevidos.
Necessidade e minimização
Ao aplicar o princípio de menor privilégio, o Zero Trust garante que usuários acessem apenas os dados estritamente necessários para suas funções.
Responsabilização e prestação de contas
Com monitoramento constante e trilhas de auditoria, as empresas conseguem demonstrar governança e compliance perante a ANPD.
Em outras palavras, implementar Zero Trust não apenas fortalece a segurança, mas também contribui diretamente para a conformidade regulatória.
Controles ISO relacionados ao modelo Zero Trust
Diversos controles das normas da família ISO 27000 se alinham diretamente ao conceito de Zero Trust, especialmente na ISO/IEC 27001 e ISO/IEC 27002.
Entre os mais relevantes, destacam-se:
Controle de acesso (A.9 – ISO 27001:2013 / 5.15–5.18 na versão 2022)
Define políticas de controle de acesso baseadas em identidade e necessidade, alinhadas ao princípio de least privilege.
Gestão de identidade e autenticação
Fundamental para validação contínua de usuários e dispositivos, incluindo MFA e autenticação adaptativa.
Segmentação e segurança de rede (A.13)
Permite limitar movimentações laterais dentro do ambiente, reduzindo impacto de ataques.
Monitoramento e logging (A.12.4)
Base para detecção contínua de comportamentos anômalos.
Gestão de vulnerabilidades (A.12.6)
Importante para reduzir superfícies exploráveis em ambientes distribuídos.
A adoção desses controles dentro de um ISMS (Sistema de Gestão de Segurança da Informação) cria a base estruturada para um modelo Zero Trust eficaz.
Exemplos práticos recentes: onde o Zero Trust poderia ter feito a diferença
Diversos incidentes recentes mostram que ataques não ocorrem apenas por falhas técnicas, mas principalmente por excesso de confiança em identidades e acessos.
Em ataques de ransomware amplamente divulgados em 2025 e 2026, muitos invasores conseguiram acesso inicial através de credenciais comprometidas ou sessões não monitoradas. Em ambientes sem segmentação adequada, esses atacantes conseguiram se mover lateralmente, acessando sistemas críticos e bases de dados completas.
Outro exemplo recorrente envolve vazamentos causados por acessos indevidos de terceiros ou fornecedores. Sem controles rigorosos de acesso e validação contínua, parceiros acabam tendo permissões excessivas, aumentando significativamente o risco.
Em ambos os casos, a aplicação de Zero Trust — com autenticação forte, segmentação e monitoramento — poderia ter limitado o impacto ou até evitado o incidente.
Como pequenas e médias empresas podem implementar Zero Trust
Ao contrário do que muitos pensam, Zero Trust não é exclusivo de grandes corporações. Pequenas e médias empresas podem — e devem — adotar seus princípios de forma gradual e pragmática.
O primeiro passo está na visibilidade: entender onde estão os dados, quem acessa e como são utilizados. Em seguida, é fundamental implementar autenticação multifator em sistemas críticos, especialmente e-mails, VPNs (ou ZTNA, como evolução) e aplicações em nuvem.
A revisão de perfis de acesso também é essencial. Muitas organizações acumulam permissões ao longo do tempo, criando riscos invisíveis. Ajustar acessos com base em função e necessidade já traz ganhos imediatos.
Outro ponto crítico é a segmentação de ambientes. Mesmo em estruturas simples, separar sistemas financeiros, operacionais e administrativos reduz drasticamente o impacto de um incidente.
Por fim, o monitoramento contínuo — mesmo com ferramentas básicas — permite identificar comportamentos fora do padrão e agir rapidamente.
Zero Trust, nesse contexto, deve ser visto como uma jornada de maturidade, não um projeto isolado.
O papel do DPO na estratégia de Zero Trust
O Data Protection Officer (DPO) ou, Encarregado pela Proteção de Dados Pessoais, exerce um papel fundamental na construção de uma estratégia de Zero Trust, especialmente ao conectar os requisitos legais da LGPD com a coordenação da implementação prática de controles de segurança. Atuando de forma multidisciplinar, o DPO ajuda a identificar riscos no tratamento de dados pessoais, orientar a definição de políticas de acesso, apoiar a implementação de controles técnicos e garantir que as medidas adotadas estejam alinhadas aos princípios de privacy by design e privacy by default. Além disso, o DPO contribui para a governança contínua, promovendo treinamentos, avaliando terceiros e apoiando a resposta a incidentes — fortalecendo a proteção dos ativos informacionais da organização.
Zero Trust como base da segurança moderna e da conformidade
Zero Trust deixou de ser uma tendência para se tornar um requisito estratégico. Em um cenário onde os dados são um dos principais ativos das organizações, confiar implicitamente em usuários, dispositivos ou redes é um risco que poucas empresas podem se dar ao luxo de correr.
Ao alinhar tecnologia, processos e governança, o modelo Zero Trust não apenas reduz riscos operacionais e financeiros, mas também fortalece a conformidade com a LGPD e padrões internacionais como ISO 27001.
Para líderes das organizações, a mensagem é clara: investir em Zero Trust não é apenas uma decisão de segurança, mas uma decisão de negócio — que protege reputação, receita e continuidade operacional.
Como a Macher Tecnologia pode apoiar
A Macher Tecnologia atua na interseção entre privacidade, proteção de dados e segurança da informação, apoiando empresas na implementação de modelos robustos de governança para privacidade.
Nossa abordagem conecta requisitos regulatórios da LGPD com as melhores práticas internacionais, incluindo diagnóstico de riscos e estruturação de processos contínuos de gestão de privacidade e proteção de dados.
Em um cenário onde credenciais se tornaram o principal vetor de ataque, proteger acessos não é apenas uma questão técnica — é uma estratégia essencial para garantir a continuidade, a reputação e a conformidade das organizações.
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