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Deepfakes e LGPD: novo Radar da ANPD reforça necessidade de governança para Inteligência Artificial

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Deepfakes e LGPD: Radar da ANPD reforça necessidade de governança para Inteligência Artificial

A crescente adoção de tecnologias digitais, especialmente soluções baseadas em Inteligência Artificial (IA), impõe novos desafios para a gestão de riscos em organizações.

A popularização da Inteligência Artificial Generativa tornou muito mais simples criar vídeos, imagens e áudios capazes de reproduzir a aparência ou a voz de pessoas reais. O problema é que a mesma tecnologia que cria novas oportunidades para empresas também amplia riscos de fraude, exposição indevida, desinformação e uso irregular de dados pessoais.

Em seu novo Radar Tecnológico nº 6 — Deepfakes, a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) analisa justamente essa relação entre conteúdos sintéticos, privacidade e proteção de dados. O documento aborda desde o funcionamento técnico dessas tecnologias até golpes financeiros, conteúdo íntimo não consentido, desinformação e possíveis mecanismos de mitigação.

Deepfakes também são uma questão de proteção de dados

Um deepfake pode utilizar imagens, vídeos, características faciais e voz de uma pessoa para produzir um novo conteúdo aparentemente autêntico. Dependendo do contexto, isso pode envolver tratamento de dados pessoais e até de dados biométricos, exigindo análise à luz de princípios da LGPD como finalidade, necessidade, transparência, segurança, prevenção e responsabilização.

No Radar, a ANPD também chama atenção para riscos persistentes decorrentes do uso de informações pessoais em sistemas de Inteligência Artificial, incluindo possibilidades de memorização, reidentificação e propagação de dados. A mitigação desses riscos demanda uma abordagem multidimensional, combinando tecnologia, transparência, rastreabilidade, governança, controles organizacionais e supervisão humana.

Os riscos já extrapolam discussões acadêmicas. Segundo o Global Cybersecurity Outlook 2025, do World Economic Forum, 55% dos CISOs consultados durante o Annual Meeting on Cybersecurity 2024 consideraram os deepfakes uma ameaça cibernética de moderada a significativa. O mesmo relatório, citando pesquisa da Accenture, aponta crescimento de 223% no comércio de ferramentas relacionadas a deepfakes em fóruns da dark web entre o primeiro trimestre de 2023 e o primeiro trimestre de 2024.

No Brasil, a preocupação também é concreta. Em julho de 2026, o Ministério da Justiça e Segurança Pública informou ter identificado 32 sites acessíveis no país oferecendo ferramentas de IA para criação de imagens falsas de nudez, inclusive serviços que funcionavam sem mecanismos adequados de verificação de idade.

Principais riscos de deepfakes para empresas

Para empresas, deepfakes vão muito além de um problema de reputação. Eles podem ser usados em fraudes financeiras, engenharia social, roubo de identidade e impersonação de executivos. Um áudio ou vídeo falso reproduzindo a voz ou a imagem de um CEO, por exemplo, pode induzir equipes a realizar pagamentos, compartilhar informações confidenciais ou executar ações indevidas.

Também há riscos de manipulação de marca e desinformação. Conteúdos sintéticos podem simular comunicados, entrevistas ou declarações atribuídas à empresa, afetando clientes, investidores e parceiros antes que a falsidade seja identificada.

Deepfakes ainda tornam ataques de phishing mais sofisticados, ao adicionar voz e vídeo a solicitações fraudulentas. Ataques que antes dependiam apenas de e-mails fraudulentos podem agora incluir chamadas de voz, videoconferências ou mensagens de áudio altamente convincentes. Isso reduz a eficácia de controles baseados exclusivamente no reconhecimento visual ou na voz de uma pessoa conhecida e reforça a necessidade de mecanismos adicionais de autenticação e validação de operações sensíveis.

O papel do DPO diante dos riscos de deepfakes

O DPO pode ajudar a organização a transformar esse cenário tecnológico em questões práticas de governança. Isso inclui mapear onde imagens, voz e outros dados pessoais são utilizados por sistemas de IA, avaliar bases legais e finalidades, revisar fornecedores, participar de avaliações de impacto e estruturar procedimentos para responder a incidentes envolvendo conteúdos sintéticos.

Essa atuação tende a ser ainda mais efetiva com times multidisciplinares de privacidade, tecnologia e segurança. Jurídico, DPO, cybersecurity, produto, comunicação e gestão de riscos enxergam aspectos diferentes do mesmo problema. Essa integração permite combinar análise regulatória com controles de autenticação, revisão humana, gestão de identidade, resposta a incidentes e treinamento das equipes.

O próprio cenário internacional reforça essa necessidade. O Global Cybersecurity Outlook 2025 mostra que, embora 66% das organizações pesquisadas esperassem que a IA tivesse impacto significativo sobre cybersecurity, apenas 37% possuíam processos para avaliar a segurança de ferramentas de IA antes de sua implantação.

Governança de IA precisa fazer parte da estratégia de privacidade

Deepfakes reforçam que AI Governance não deve funcionar de forma isolada de privacidade e cybersecurity. Empresas podem estabelecer políticas para uso de IA, inventário de soluções e fornecedores, análise de riscos, procedimentos de validação de conteúdo, controles sobre uso de dados pessoais e mecanismos de resposta a fraudes e incidentes.

Esse processo também se conecta diretamente a programas mais amplos de adequação à LGPD, especialmente quando novas tecnologias são incorporadas aos processos internos sem uma avaliação estruturada de riscos.

Como a Macher Tecnologia pode ajudar

A Macher Tecnologia apoia organizações na construção de programas de privacidade, proteção de dados e governança de IA por meio de projetos de adequação à LGPD, avaliação de riscos, revisão de processos e DPO-as-a-Service.

Nossa abordagem multidisciplinar combina privacidade, tecnologia, cybersecurity, governança e gestão de riscos para transformar exigências regulatórias e novos desafios tecnológicos em processos aplicáveis ao dia a dia da organização.

O avanço dos deepfakes é mais um sinal de que empresas precisam evoluir seus mecanismos de governança na mesma velocidade em que adotam novas tecnologias de Inteligência Artificial.

Se sua organização precisa de apoio com Governança de IA ou projetos ligados a LGPD, entre em contato com nosso time de consultores!

Sobre a Macher Tecnologia

A Macher Tecnologia é uma empresa especializada em soluções Digital, focada em privacidade e proteção de dados. No mercado desde 2018, suporta clientes de diferentes indústrias em suas jornadas de conformidade, de forma multidisciplinar e hands-on.

Com uma abordagem inovadora, a Macher Tecnologia auxilia empresas na implementação de estratégias eficazes de conformidade com LGPD e GDPR, fornecendo consultoria, treinamento e ferramentas tecnológicas para gestão de riscos e proteção de dados corporativos.

Entre em contato e saiba como podemos ajudar sua organização hoje mesmo!

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